"Já não sou mais adolescente, já vivo e penso como uma adulta.
Imagino-me a chegar a nossa casa, cansada do trabalho, descalçar-me, vestir o pijama, dar-te um beijo e simplesmente deitar-me no sofá, até que tu, o adolescente, fazes-me o jantar, pois tiveste a tarde toda em casa, a estudar para o exame da faculdade. 
De tão cansada que estou, deixamos de fazer amor neste e no outro dia. Preocupo-me com os problemas dos meus mais queridos e discuto contigo, porque és tu quem mais amo. 
Tudo isto faz com que me sinta desleixada e é aí que começam os maiores/verdadeiros problemas: falta de auto-estima, a crise das rugas, e aquelas borbulhas da adolescência que tendem a aparecer, a mudança de visual que necessitava e afinal não tenho a mínima paciência para lhe dar a devida atenção!
Começo a engordar por todos os lados, perco o gosto pelo meu corpo e levo com ele a sensualidade. Abandono a hipótese de te fazer uma dança erótica e passo a vida a queixar-me disto e daquilo, até mesmo daquilo que não tenho motivo para me queixar.
Enervo-me por tudo e por nada... Dizem que são sintomas de depressão e isso faz com que me enerve mais, até que fico doente e ajo como uma louca. 
Tu continuas lá, sempre a meu lado, tal como um adolescente faz, apoias-me e dizes que vamos enfrentar tudo juntos e eu discuto contigo, não te chamo à razão, culpo tudo e todos pela minha situação. 
Repleta de medicamentos, perco tudo, principalmente as forças e apercebo-me que não estou sozinha, mas que não faço os outros felizes. 
Fecho-me em casa, deixo de conviver com as pessoas e crio um blog, para aquele que mais amo e sempre amei, TU, o pai dos meus filhos, aqueles que não queria ter e que já não vivo sem eles e sem ti."

Eternamente tua, 
Maria